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Chega os bahianos! outubro 8, 2008

Posted by raizculturablog in 1.
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Na década de 50, época que a Umbanda se consolida em São Paulo, houve um enorme fluxo migratório para esta região, pois estava sendo esculpido uma das maiores metrópoles do mundo, tornando-se um grande canteiro de obras.

Com a quantidade de pessoas vindas de diversas partes do país era enorme, destacando-se os nordestinos, que vieram na maioria para trabalhar nas obras de construção civil, como “peões” urbanos, assim como nos mais diferentes ramos da indústria automobilística, então também em total expansão, especialmente ocupando os postos de trabalho não qualificado.

No imaginário popular dessa cidade, o nordestino foi portanto associado ao trabalho duro, à pobreza, ao analfabetismo, aos bairros periféricos, à vida precária, de um modo genérico, a tudo que é considerado inferior ou brega. Com o inchaço populacional e os crescentes problemas, inerentes ao processo de metropolização, o senso comum, marcado pelo preconceito, passa a procurar o “culpado” pelo ônibus lotado, pela falta de emprego, enfim pelas mazelas da cidade. E a culpa é recorrentemente atribuída ao “intruso”, o “cabeça chata ignorante”, o nordestino.

Assim como o oriental é indiscriminadamente rotulado de “japonês”, o nordestino é o “baiano”. Na vida cotidiana da cidade se percebe o caráter negativo dessa designação: “isso é coisa de baiano”, “que baianada você fez” etc. Ainda que elementos culturais originários da Bahia e do Nordeste tenham sido valorizados pela mídia (no carnaval, na música popular), fenômeno de alguma forma expresso na proliferação dos candomblés em São Paulo, o termo “baiano” (nordestinos, em geral) ainda continua sendo pejorativo. Não obstante, o baiano alcançou grande popularidade na Umbanda.

A Umbanda caracterizou-se por cultuar figuras nacionais associadas à natureza, à marginalidade, à condição subalterna em relação ao padrão branco ocidental. O nordestino é o “subalterno” da metrópole, o tipo social “inferior” e “atrasado”, e por isso objeto de ridicularização, mas também de admiração, pois igualmente representa aquele que resiste firmemente diante das adversidades.

O Baiano representa a força do fragilizado, o que sofreu e aprendeu na “escola da vida” e, portanto, pode ajudar as pessoas. O reconhecido caráter de bravura e irreverência do nordestino migrante parece ser responsável pelo fato de os baianos terem se tornado uma entidade de grande freqüência e importância nas giras paulistas e de todo o país, nos últimos anos.

Os baianos da Umbanda são pouco presentes na literatura umbandista. Povo de fácil relacionamento, comumente aparece em giras de Caboclos e pretos velhos, sua fala é mais fácil de se entender que a fala dos caboclos.

Conhecem de tudo um pouco, inclusive a Quimbanda, por isso podem trabalhar tanto na direita desfazendo feitiços, quanto na esquerda.

Quando se referem aos Exus usam o termo “Meu Cumpadre”, com quem tem grande afinidade e proximidade, costumam trazer recados do povo da rua, alguns costumam adentrar na Tronqueira para algum “trabalho”. Enfrentam os invasores (kiumbas, obsessores) de frente, chamando para si toda a carga com falas do gênero “venha me enfrentar, vamos vê se tu pode comigo”. Buscam sempre o encaminhamento e doutrinação, mas quando o Zombeteiro não aceita e insiste em perturbar algum médium ou consulente, então o Baiano se encarrega de “amarrá-lo” para que não mais perturbe ou até o dia que tenha se redimido e queira realmente ser ajudado. Costumam dizer que se estão alí “trabalhando” é porque não foram santos em seu tempo na terra, e também estão alí para passarem um pouco do que sabem e principalmente aprenderem com o povo da terra.

São amigos e gostam de conversar e contar causos, mas também sabem dar broncas quando vêem alguma coisa errada.

Nas giras eles se apresentam com forte traço regionalista, principalmente em seu modo de falar cantado, diferente, eles são “do tipo que não levam desaforo pra casa”, possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos e passam segurança ao consulente que tem fé.

Os Baianos na Umbanda são “doutrinados”, se assim podemos dizer, apresentando um comportamento comedido, não xingam, nem provocam ninguém.

Os trabalhos com a corrente dos Baianos, trazem muita paz, passando perseverança, para vencermos as dificuldades de nossa jornada terrena.

A Entidade pode vir na linha de Baianos e não ser necessariamente da Bahia, da mesma forma que na linha das crianças nem todas as entidades são realmente crianças.

Os Baianos são das mais humanas entidades dentro do terreiro, por falar e sentir a maioria dos sentimentos dos seus consulentes. Talvez por sua forma fervorosa de se apresentar em seus trabalhados no terreiro, aparentem ser uma das entidades, mais fortes ou dotadas de grande energia (e na verdade são), mas na umbanda não existe o mais forte ou fraco são todos iguais, só a forma do trabalho é que muda.

Adoram trabalhar com outras entidades como Erês, Caboclos, Marinheiros, Exus, etc.

São grande admiradores da disciplina e organização dos trabalhos.

São consoladores por natureza e adoram dar a disciplina de forma brusca e direta diferente de qualquer entidade.

Características dos Baianos

Comidas: Coco, cocada, farofa com carne seca.

Bebem: Água de coco, cachaça, batida de coco.

Fumam: Cigarro de palha.

Trabalham: Desmanchando trabalhos de magia negra, dando passes, etc,. São portadores de fortes orações e rezas. Alguns trabalham benzendo com água e dendê.

Cor: laranja ou qual for definida pela entidade

Apresentação: Usam chapéu de palha ou de couro e falam com sotaque característico nordestino. geralmente usam roupas de couro.

Nomes De Alguns Baianos: Severino, Zé Do Coco, Sete Ponteiros, Mané Baiano, Zé Do Berimbau, Maria Do Alto Do Morro, Zé Do Trilho Verde, Maria Bonita, Gentilero, Maria Do Balaio, Maria Baiana, Maria Dos Remédios, Zé Do Prado, Chiquinho Cangaceiro, Zé Pelintra (que trabalham também na linha de Malandros).

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Comentários»

1. Cairo Lima Oliveira Almeida - janeiro 3, 2009

Devo confessar que o povo oriundo da Bahia agregam elementos religiosos diversos, a umbanda, candomblé é um deles. O misticismo católico popular é intenso, o que explica muito o maior movimento religioso popular ocorrido em pleno sertão baiano, a guerra de Canudos (claro, também possuía aspectos políticos evidentes).
Apesar da Bahia se inserir no contexto territorial do brasil, posso dizer que se trata de um contexto cultural a parte.

2. maria luisa tavares bastos - outubro 22, 2009

Sou portuguesa, iniciei-me há mais de 10 anos no Candomblé. Quando o Pai de Santo foi viver para Lisboa, o Terreiro fechou e eu continuei minhas buscas em São Paulo e, depois, na Bahia,
porque passei uns anos no Brasil, nas grandes cidades, a fazer pesquisa para minha tese de doutorado sobre os Engenhos de açucar na Bahia, as Fazendas de Café em São Paulo, a vida dos seringueiros nordestinos no interior da Amazónia, junto às margens do Rio Madeira, e a “pacificação” da tribo índia Parintintim.
Fiz bori para Nanã no Terreiro de Mãe Elsa, já desencarnada, e faria aí minha iniciação de Orixá – Iemanjá – em Dezembro de 2000.
Não foi possível por várias razões. Continuei minhas buscas na internet, estudei nos livros que apareciam nas livrarias portuguesas e, este ano, em Maio, encontrei uma Mãe de Santo de São Paulo a viver na minha cidade. Com ela, em Maio, fiz bori de Caboclo e, entre 3 e 7 de agosto, fiz iniciação de Orixá na Umbanda de raíz africana. Meus Orixás: Pai oxóssi, Pai Oxalá, Mãe Iemanjá.
Antes da Iniciação, fiz todas as semanas, desenvolvimento e já com todos os fios e Guias Espirituais a trabalhar, dei passe 3 vezes: em 2 giras de Preto-Velho e numa de Baiano.
Depois da Iniciação, ainda incorporei meu Caboclo e 3 vezes a minha criança.
Mas, desisti do Templo. Se a princípio senti que tinha uma grande responsabilidade por dar passe, e era uma coisa que eu desejava fazer, com as semanas a passarem e as atitudes das 9 médiuns e da Mãe de Santo, comecei a ouvir cada vez mais forte minha Voz Interior dizendo que não pertencia ali. É óbvio que tenho de falar das minhas atitudes para com a Casa, também: ALI EU ESTIVE DESDE O PRINCÍPIO PARA SERVIR O OUTRO E FOI O QUE FIZ. Respeitá-lo. Ajudá-lo. Em tudo participar. Jamais levantar a voz. Ser humilde, mas não humilhada.

A última Entidade que incorporei foi a Baiana Maria Bonita. Veio de uma forma despachada, não parava quieta, dançava mas preferia trabalhar. Deram-lhe um coco que ela trabalhou com a pemba e partiu, junto à porteira. Deram-lhe leite de coco que ela derramou no chão e com o pé direito fez uma espiral. Com a pemba riscou um barco à vela também perto da porteira, pronto a sair do porto para o mar alto, levando todo o mal dali para que mãe Iemanjá levasse para o fundo do Mar.
Cumprimentou o Baiano em terra tratando-o por compadre e foi com veio.
O que a cambone relatou e muita coisa eu senti – uma força incrível, arrepios pelo corpo todo – pedi à Mãe de santo para nos explicar, mas ela disse que Maria Bonita tinha trabalhado para mim.

Este relato é um desejo de saber muita coisa que fica nos «segredos dos Deuses», embora eu me sinta muito curiosa acerca de Maria Bonita. Sei a história dela, sei que foi casada com Lampião, o rei do cangaço e ela a Rainha, que tirava dos ricos para dar aos pobres…
GOSTAVA DE SABER MAIS COMO ENTIDADE.
FICO GRATA,
Maria Luisa,
Faro – Algarve
PORTUGAL:

3. THIAGO MARTINS DE OLIVEIRA - junho 8, 2010

BOA NOITE, EU ENTREI AGORA PRA UMBANDA E MEU SANTO DE FRENTE E O BAIANO E MINHA MAE DE SANTO FALOU QUE E MUITO DIFICIL TER UM SANTO DESSE DE FRENTE POR ISSO QUE ESTOU PESQUISANDO SOBRE O MEU GUIA ELE JA DEU ATE NOME NO TERRERIO E SETE PONTEIROS
ESPERO RECEBER BASTANTE INFORMAÇÃO SOBRE ESSE MEU GUIA O QUE EU SEI ACHO QUE E POUCO
THIAGOMDEOLIVEIRA@YAHOO.COM.BR

4. Priscila - outubro 1, 2011

Alguém poderia me esclarecer uma dúvida? Maria Bonita é a mesma entidade que se diz Maria do Cangaço?


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