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Escolas, Seitas e Cursos – Entendendo conceitos diferentes maio 1, 2009

Posted by raizculturablog in Cultura & Massas.
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Aranauan, Saravá meus amigos listeiros,

Recebemos um questionamento sobre cursos, respeito às escolas umbandistas e assuntos correlatos. Devido à importância do tema, estamos estendendo a discussão para as listas visando fortalecer o espírito de diálogo e construção coletiva. Ontem, durante a vídeo conferência entre o Templo Umbandista Vovó Cambinda-PR e a FTU, observamos como Pai Rivas discorreu sobre as Escolas umbandistas e os cursos. Para quem assistiu, certamente estes conceitos ficaram muito claros para todos, afinal eles são gratuitos.


Precisamos entender o que significa Escolas e seitas. A primeira é toda forma de se fazer e compreender a Umbanda através de uma Epistemologia (corpo de conhecimento), Metodologia (linha de transmissão) e Ética (para a Umbanda é a interdependência). Já as seitas são caracterizadas por uma visão etnocêntrica, privilegiando a idéia de um grupo específico sobre a totalidade; misoneísta, aversão à mudança; milenarista, ao defender idéias salvacionistas; enfim, transmitem visões exclusivistas onde seus conceitos são fechados e indiscutíveis.

Para as Escolas Umbandistas, as diferenças são respeitadas e suas pontes de contato são estabelecidas por profundos processos dialéticos. Dito de outra forma, Unidade na Diversidade. Para uma seita, existe um conjunto de conhecimentos que são únicos, inquestionáveis, trazidos por um profeta, um escolhido que é melhor do que todos os outros. Aplicado ao universo umbandista, são aqueles médiuns que recebem dezenas de espíritos, de tal forma que perdem a sua própria identidade mediúnica, e estabelecem “verdades” que só eles conseguiram “alcançar” e só pela pena deles poderão ser relatadas para a comunidade planetária. Só faltam afirmar que são demiurgos!

Estabelecidas estas diferenças, penetremos na questão dos cursos. Existem aqueles cursos que são fornecidos por pais e mães espirituais aos seus filhos ou a comunidade que aquele terreiro atua. Neste modalidade, não existe problema algum. Aliás, é fantástico. Demonstra uma preocupação dos dirigentes da casa em transmitir para aqueles que se afinizam com suas idéias, os conceitos umbandistas dentro da ótica de sua Escola. Nestes cursos não existe uma preocupação de padronizar a Umbanda entorno de uma visão particular.

Nossa crítica é e sempre foi aos cursos que estão distantes do terreiro e são utilizados pelas seitas como forma de exercer o poder. São oferecidos por pessoas também formadas em cursos e primam em transmitir idéias generalizantes sem nenhuma preocupação com a visão particular de cada Escola. Existe uma padronização do conhecimento tão bem simbolizado pelas apostilas que sumarizam a Umbanda em poucas páginas de papel. “Ensinam” o sacerdócio, o desenvolvimento mediúnico e outras questões que lembram as estratégias make yourself (faça você mesmo).

Uma justificativa da existência do curso, que mais parece argumento de venda, é afirmar que dentro do terreiro demora muito para passar as coisas do santo. Como assim? Será que 2 anos é tempo suficiente para aprender tudo que a Umbanda nos têm a oferecer? Será que o pai ou mãe espiritual (me refiro aos que são de fato e de direito, com casa aberta para acesso de todos que dela precisem) não sabem compreender o tempo de cada um para receber os conhecimentos que precisa dentro e fora da Umbanda?

Entre as duas possibilidades de aprendizado, prefiro o terreiro que proporciona um contato real, coletivo e em igualdades de condições com o Sagrado através dos Caboclos e Pais Velhos, pois os cursos que condicionam a um ministrante (ou seria um “escolhido”?!) tudo aquilo que diz respeito à Umbanda, transformam-se em instrumento codificador e de ganho pecuniário.

E deixa a Gira girar!

Saravá fraternal,

João Luiz de A. Carneiro
Discípulo de Pai Rivas (Mestre Arhapiagha)

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