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De Fernando Sepe para reflexão. março 23, 2009

Posted by raizculturablog in Cultura & Massas, Pensamentos do dia.
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NÚCLEO DE ESTUDOS ESPIRITUAIS MATA VERDE TEMPLO DE UMBANDA

Encaminhamos mensagem de autoria do Fernando Sepe para reflexão.

É um assunto muito interessante e acreditamos que os umbandistas precisam refletir sobre a questão colocada.

No Núcleo Mata Verde procuramos estudar com mais profundidade a natureza dos espíritos e a maneira como se apresentam nos trabalhos de umbanda.

Este assunto também é tratado no curso de doutrina umbandista “Umbanda Os Sete Reinos Sagrados” .

Entrando na questão de arquétipos e Umbanda, aproveitando as discussões da lista. Até onde conheço, o problema é que a turma quando faz esse tipo de estudo confunde muito o arquétipo com os Orixás e sai falando em o “arquétipo de Xangô, Oxum”, etc… O que, como alguém explicou, é equivocado, visto que o arquétipo é vazio, é molde… Um mito é expressão do arquétipo dentro de determinada cultura, mas não é o arquétipo, que é universal…

Entendido isso, diria que a mesma co-relação que se faz entre as divindades de muitos povos, pode-se inclui os Orixás e aumentar seu entendimento em relação aos mesmos. Aquela coisa: a Mãe Divina em sua manifestação guerreira – Iansã para os yorubanos; Durga para os hindus; As Valkyrias nórdicas; sei lá, assim vai… Isso é o mais básico.

Na Umbanda, porém, a coisa vai além da associação com o Orixá, visto que a manifestação dos guias é muito “arquetípica”… Ex: Preto-velho incorporado é sempre “igual”: curvado, fala manso, faz tudo devagarzinho, etc.

Já o caboclo é aguerrido, forte, veloz, destemido, justo e correto acima de tudo… Na Umbanda os espíritos utilizam-se de “roupagens” para se manifestar, fundamentados em um arquétipo e em sua manifestação em algum mito arraigado à cultura brasileira.

Durante a escravidão, por exemplo, nenhum escravo chegava aos 80 anos. O trabalho era duro, a maioria desencarnava novo, a média era de menos de 30 anos. Ora, donde sai tanto preto-velho então? A figura do preto-velho é um mito criado dentro da cultura brasileira, ligado à sapiência, a superação das dificuldades, à paciência, etc. Por detrás dele podemos perceber claramente o arquétipo do sábio, do ancião, normalmente figuras que remetem ao self junguiano. E os espíritos usam dessa roupagem (preto-velho) para se manifestar, mas por detrás dela, a maioria nem escravo foi… O mesmo com o caboclo. Ele representa a figura idealizada do índio, criado principalmente pelo movimento romântico indianista, que exaltava a coragem, a bondade, a força, etc, dos nativos (vide Pery, em o Guarani, arrancando uma árvore com as mãos!!). Ora, atrás desse mito do índio brasileiro, vemos o arquétipo do herói, do ser forte e protetor, justo e luminoso, etc…

E novamente temos uma roupagem, muitos nem índios foram…

Assim com todas as linhas – exu, criança, baiano, boiadeiro, etc… O que eu acho mais interessante de tudo isso são suas implicações mediúnicas. No fundo, esse tipo de manifestação faz emergir essas estruturas arquetípicas e muito material inconsciente nas pessoas, chegando a ter efeito terapêutico. A tempos não vejo um terreiro de Umbanda como um lugar onde “apenas” os espíritos baixam para fazer caridade, ou onde rola alguns rituais, ou práticas magísticas.

O terreiro funciona, ou deveria, como um grande local onde as pessoas vivenciam um universo todo simbólico, que, quando bem conduzido, faz com que muito material do inconsciente das pessoas seja trabalhado, através das danças, das incorporações, dos transes, etc. É uma pena que pouco se fala disso na Umbanda.

Só um exemplo para terminar esse longo e-mail. A linha de Exu e pomba-gira trabalha muito do que Jung chama de sombra. Quando incorporados, sua manifestação faz com que conteúdos normalmente sombrios venham ao consciente do médium. É nessa hora que o cara bonzinho perde a compostura e “vira num Exu nervosão que só sabe falar palavrão e xingar todo mundo” ou a recatada senhora “vira em uma pombagira para lá de vulgar”… O problema se dá quando projeta-se nas entidades essas ações e não se percebe que em verdade elas apenas potencializam e expõe aquilo que o médium traz dentro de si.

Outro exemplo bem bacana acontece com a linha das crianças que trabalha muito bem a questão dos traumas infantis nos médiuns, além de ser um encontro com a criança interior, com elementos de pureza e alegria, renovação…

Poderia-se falar ainda da importância das danças, dos cantos e batidas do tambor, dos rituais simbólicos, etc…

O assunto é longo e interessante. Creio que estudar mediunidade, hoje, sem tentar uma ponte com teorias psicológicas, psicanalíticas, etc, é uma falha.

Muito ao contrário de negar, enriquece e expõe uma outra faceta do trabalho mediúnico. Sei lá, minha opinião. Mas todo médium deveria prestar mais atenção. No fundo, parece que a mediunidade além de ponte com algo sutil, pode ser uma ponte interessante ao universo inconsciente. A mediunidade parece hoje ter um caráter e objetivo muito mais subjetivo, do que na época dos fenômenos e das mensagens do além túmulo de conforto à família (nada contra!) Na Umbanda, sendo mais específico, onde elementos míticos, magísticos, religiosos, culturais, etc, convivem em uma fusão grande, a mediunidade é uma vida simbólica, cheia de insights e crescimento interior para quem quiser ver…

Abraços

Fernando Sepe – que não trabalha mais na Umbanda como antes, mas que nem por isso se afastou da egrégora da mesma e que tanto já lhe ajudou a crescer…

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Comentários»

1. Gilda Terezinha Nennemann - março 26, 2009

Gostaria de disser q eu sou uma das poucas pessoas previlegiadas com um belo terreiro, q ainda funciona em em próu da caridade , como voce falou na matéria , praticando o bem e a caridade como realmente deveria ser a nossa querida umbanda. Um grande abraço


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