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Capitão Pessôa homenageia o Caboclo das Sete Encruzilhadas novembro 15, 2008

Posted by raizculturablog in Cultura & Massas.
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Muitos estão se perguntando se temos:

“o que comemorar?”

Tenho certeza de que temos sim

o que comemorar,

Estou comemorando 100 anos

da mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas,

por Zélio de Moraes.

Sem eles eu não estaria aqui…

Abaixo a homenagem de Capitão Pessôa

ao Caboclo das Sete Encruzilhadas

Alexandre Cumino


Capitão Pessôa

Por Alexandre Cumino

José Álvares Pessoa ou Capitão Pessoa como ficou conhecido, era espírita e estudioso do espiritualismo em geral. Já tinha ouvido falar sobre as “maravilhas de Neves” e o Caboclo Sete Encruzilhadas, não acreditava muito nos fatos que ouvia, pois muitos deles parecem fantasia ou exagero de quem se refere ao fenômeno Zélio de Moraes. Resolveu ir pessoalmente conhecer a Tenda Nossa Senhora da Piedade e comprovar pessoalmente o que se realizava em nome de Umbanda. Isto se deu por volta de 1935, Zélio já tinha fundado as seis tendas e lhe faltava o médium que iria dirigir a Tenda São Jerônimo, que completaria sua missão de fundar Sete Tendas, segundo determinação do Chefe, Caboclo Sete Encruzilhadas.

Assim que Capitão Pessoa adentrou o ambiente da Tenda, Caboclo Sete Encruzilhadas, devidamente incorporado, interrompeu sua palestra e afirmou:

Já podemos fundar a tenda São Jerônimo. O seu dirigente acaba de chegar.

O Sr. Pessoa se surpreendeu com tal afirmação, pois não conhecia ninguém naquele ambiente. Em conversa com o Caboclo se surpreendeu mais ainda por mostrar que o conhecia profundamente, aceitando assim a sua missão dentro da religião umbandista.

A Tenda São Jerônimo tornou-se um exemplo para a Umbanda e Capitão Pessoa um umbandista dos mais atuantes. Nos legou um texto intitulado Umbanda Religião do Brasil que faz parte de um livro com o mesmo titulo cujo qual participa ao lado de mais três autores umbandistas (Carlos de Azevedo, Madre Yarandasã e Nelson Mesquita Cavalcanti).

Umbanda Religião do Brasil, 1960, São Paulo, Ed. Obelisco

Neste livro, Capitão Pessoa, ressalta a Umbanda como“UMA RELIGIÃO GENUINAMENTE BRASILEIRA”, vejamos alguns de seus conceitos:

Há uns quarenta anos mais ou menos, aproveitando a enorme aceitação dos fenômenos espíritas por parte dos brasileiros, entidades que presidem o destino espiritual da raça resolveram levar avante a árdua tarefa de lhes dar uma religião que fosse genuinamente brasileira. Porque, filho de três raças – a branca, a negra e a índia – não era justo que coubesse ao brasileiro, como imposição, uma religião 100% importada, fosse ela qual fosse , e que não reunisse os anseios das três raças a que pertence.

A religião que lhes estava destinada deveria ser uma religião eclética, cujas características principais fossem a caridade, a humildade e a perfeita tolerância para com a imensa ignorância dos homens… (p.63)

(…) Umbanda é o milagre vivo diante dos nossos olhos deslumbrados; Umbanda é ação do Cristo na sua Jornada pelo planeta, realizando a magia divina em favor da humanidade que se debate no sofrimento e na dor.

Umbanda é magia, e magia é a mola que move este mundo…(p.84)

(…) sobre os seus ombros tomou o Caboclo das “Sete Encruzilhadas”, de organizar a Lei de Umbanda no Brasil… (p.92)

(…) Umbanda é a própria alma do mundo trabalhando em prol da regeneração dos homens… (p.102)

Ainda no livro UMBANDA RELIGIÃO DO BRASIL encontramos os seguintes textos de  Cap. Pessoa:

Umbanda Religião do Brasil

Umbanda – A Magia e os seus Mistérios

O Pastor da Umbanda

Umbanda dentro do Mundo

Destes coloco abaixo o texto O Pastor da Umbanda:

O Pastor da Umbanda

Por José Álvares Pessôa – Capitão Pessoa

Livro Umbanda Religião do Brasil, 1960, pp. 91 a 98

Bem-aventurados os que têm fé, porque esses verão a Deus Nosso Senhor.

A fé é uma das virtudes funda­mentais de todas as religiões. Sublime por excelência, sem ela nada se po­derá realizar no terreno espiritual e é por seu intermédio, dependendo da sua maior ou menor intensidade, que as almas se habilitam a levar avante a missão de que se incumbiram.

A fé remove montanhas, cura as en­fermidades do corpo e da alma, transforma os criminosos em cordeiros, faz o milagre – maravilhoso entre todos – do ladrão subir aos céus com Jesus Cristo.

Foi a fé que levou uma grande alma a realizar em nossa terra uma formi­dável obra de reforma religiosa, com a implantação, em nosso meio, da Lei de Um­banda. E esta realização é tanto maior quando todos nós sabemos que, no Brasil essencialmente católico, de há 40 anos passados, era quase um crime pensar-se em fazer modificações de ordem espiritual, que pudessem afetar, de leve sequer, o prestígio dos padres de Roma.

A realização da tarefa, por isso mesmo espinhosíssima, que sobre os seus ombros tomou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, de organizar a Lei de Umbanda no Brasil, é um verdadeiro mi­lagre de fé, que nos leva a um sen­timento de grande amor e de profundo respeito por essa entidade, que se faz pequenina e que procura velar-se sob a capa de uma humildade perfeita.

É a ele – ao Pastor de Umbanda – que se deve a purificação dos tra­balhos de magia nos terreiros; é a ele que es­piritualmente está entregue a direção de todas as Tendas de Umbanda no Brasil.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas é o verdadeiro Guia da Umbanda, o pastor das ovelhas de yemanjá, aquele com quem todos os outros Guias lá no alto combinam, quando querem colaborar nos seus terreiros.

Foi ele quem assu­miu perante Oxalá o compromisso de expurgar Umbanda do
rito essencialmente africa­nista que se vinha praticando desde as primeiras levas de escravos tra­zidos pelos portugueses.

Foi ele quem provocando uma guerra com os espíritos das trevas, diretamente inte­ressados com a implantação dos tra­balhos de magia negra, não vacilou um só momento em seguir o programa traçado e arre­banhando as suas ovelhas – verdadeiro Pastor de Umbanda – vai continuando a sua obra de propagação com as constantes inaugurações  de Tendas que, filiadas ou não à Tenda de N. S. da Piedade, são realmente suas, estão, queiram ou não queiram os seus organizadores, debaixo de sua orientação espi­ritual.

Que os que nos leem não se esqueçam desta verdade: o Caboclo das Sete Encruzi­lhadas é o legítimo senhor de Um­ban­da no Brasil; nenhuma entidade, por grande que seja, intervém nos trabalhos da magia branca sem uma prévia combinação com ele.

Sei que muitos não concordarão com o nosso pensamento, pelo que peço perdão e licença para elucidá-lo. O meu intuito não é diminuir qualquer das entidades que baixam nos terreiros de Umbanda e muito menos ferir qualquer suscetibilidade; eu sei, e todos sabem, que podem descer nos terreiros entidades maiores que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, embora não se declarem como tal, mas essas entidades que vem prestar socorro a filhos que sofrem, vem e voltam sem a responsabilidade que cabe ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, que recebeu a missão de purificar os trabalhos da magia.

Como prova, aí estão as suas tendas, formando um todo homogêneo, organização que não tem similar e que vem resistindo a todas as campanhas que tem sofrido.

As minhas declarações não tem outro sentido a não ser que o Caboclo das Sete Encruzilhadas foi realmente o Comissionado para esse fim; ele não vai inovar, veio apenas purificar o que já se fazia no pais há algumas centenas de anos; ele não destruiu o ritual de Umbanda, antes deu-lhe força e método e o propagou com sua organização maravilhosa. Verdadeiro Mestre da Magia Branca, responsável pela pureza do seu ri­tual, ele não poderia abandoná-la, por­que o considera sagrado; ao con­trário, ele nos ensinou a amá-lo e a res­peitá-lo, porque ninguém melhor do que ele sabe que não há religião sem ritual.

O que ele deseja, entretanto, é que este ritual de Umbanda, humilde, mas cheio de luz, seja nivelado ao ritual elevado das grandes religiões e isento de toda inferioridade e da prática de coisas inúteis e perniciosas. O que deseja, sobretudo, é que este ritual seja praticado apenas por Guias autori­zados, porque não são todos espí­ritos que baixam nos terreiros que se acham à altura de praticá-lo.

Essas minhas declarações são tan­to mais insuspeitas quanto todos sa­bem o grande amor que eu e todos os que fa­zem parte da Casa de São Jerô­nimo temos ao Caboclo da Lua, que é por nós considerado uma entidade de grandes poderes e elevada espiritua­lidade. Todavia, e para isso chamo a atenção de todos, por muito grande que seja, ele não hesitou em trabalhar sob a Chefia do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e foi ele quem
orga­nizou e lhe ofereceu a Tenda de São Jerônimo, que espero será um dos esteios de sua obra formidável.

Há alguns anos, previmos que Um­banda seria a futura reli­gião do Brasil, numa visão feliz que posteriormente foi plasmada num estudo humilde e modestamente ofertado pelos filhos de São Jerônimo aos filhos de santo Agostinho, que a nós são unidos pelo coração e pelos mesmos ideais. Então Um­banda era perseguida não só pelos outros credos religiosos, mas ainda, pelas autoridades constituídas que a rebaixavam ao nível da Magia Negra. Hoje, começamos a ver raiar a Alvorada de Umbanda, porque são as próprias autoridades que nos convocam para uma confis­são pública de Umbanda como
credo religioso, permitindo que, com essa designação, as Tendas de Umbanda funcionem.

É a nossa vitória, ou antes, a grande vitória do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

O que nós todos lhe devemos é de valor inestimável; jamais poderemos pagar os benefícios espalhados a mancheias por ele e pelos espíritos que acorreram ao seu chamado para ajudá-lo no cum­primento de sua missão.

É uma felicidade para nós prestar ao Caboclo das Sete Encruzilhadas essa homenagem, rendendo-lhe um elevado preito de gratidão com o nosso reconhecimento público de que ele é o legitimo Pastor de Umbanda, o único diretamente responsável perante Oxalá por todas as Tendas já organizadas entre nós e por todas as que vierem a se organizar.

Este espírito de eleição, cuja a fé é um incentivo para os nossos espíritos entibiados, cheios de irresoluções, fracos no cumprimento do dever, rebeldes quando não vemos que as coisas mar­­cham sempre ao sabor dos nossos de­sejos; este espírito de luz, cujo amor a Oxalá o levou a não ver os espinhos que o feriram ao longo da penosa jornada que teria de percorrer durante tão duros anos, bem merece ser enaltecido por todos os filhos de fé que se sentem felizes no ambiente humilde de Umbanda e que nem de leve suspeitam de seu verdadeiro valor, da sua singular grandiosidade.

Habituados a ouvir dizer: “o Caboclo das Sete Encruzilhadas baixa tal ou qual terreiro”, os adeptos de Umbanda imaginam que ele é “mais um” entre os inúmeros que vem para a sua missão de caridade.

Já é tempo de corrigir-se o erro; ele não é “um entre muitos”, em Umbanda ele é o “primeiro entre todos”, porque foi comissionado para purificar os seus trabalhis; não há entidade que lhe não preste a sua homenagem, e todos, sem vaidade, sentem-se felizes em auxiliá-lo na sua obra de comissionado, pela qual ele vem lutando há mais de 40 anos.

As injustiças, as ingratidões, os escárnios, a zombaria, que lhe tem sido feitas durante todo este tempo, jamais contribuíram para um desfalecimento, por minutos que fosse, de sua parte, em levá-la avante.

Assim como a tremenda campanha feita contra N.S. Jesus Cristo, por aqueles que, sem luz, desejavam o aniquilamento de sua obra e o desapa­recimento de sua doutrina, só contri­buiu para que ela com mais rapidez e segurança se propagasse pelo mundo inteiro, assim também toda a campanha de desmoralização e todo o sistema de intrigas urdidos até hoje contra a obra formidável do Caboclo das Sete Encruzilhadas só tem contribuído, e ca­da vez mais contribuirão, para o seu engrandecimento e para que por todos os séculos se mantenha de pé.

Foi a fé que o ajudou a realizar esta obra, que um dia será gigantesca e se
espalhará também pelos confins do mundo; é pela fé que ele pretende nos
levar aos pés do doce Oxalá, de quem é um humilde devoto.

Verdadeiro Pastor de Umbanda, ele vela constantemente pela suas ovelhas, a fim de que não se contaminem com o habito pestilencial da magia negra, e sereno, como só os grandes podem ser, ele sorri, confiante na vitória de sua obra, porque sabe que a fé é o seu alicerce, a sus­tentará pelos séculos afora.

Obs.: Acredita-se que esta homenagem ao caboclo Sete Encruzilhadas tenha se realizado na Tenda São Jerônimo, dia 30 de Setembro de 1942 (Conforme cita Diamantino Trindade no Livro Umbanda Brasileira).

Saudações Umbandistas

“Umbanda é Religião portanto só pode fazer o BEM – Alexandre Cumino”

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Comentários»

1. Carlos - dezembro 8, 2008

Tem livro gratis psicografados sobre Umbanda bem interessantes no site http://www.livrospsicografados.com.br . Estes livros explicam muitas coisas da Umbanda.


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