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Filhos de fe! outubro 8, 2008

Posted by raizculturablog in Cultura & Massas.
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A consciência dos filhos ainda não pode conceber o que “é” Umbanda, e muitos não compreendem seus arcanos secretos. Poucos filhos na Terra têm a exata compreensão e entendimento desta Senhora da Face Velada e não conseguem encontrar palavras para interpretar o que eles percebem
ou intuem através das suas faculdades medianímicas.

Daí a dificuldade de explicar o Sagrado, o Ombhandhum milenar, renascido através do Caboclo das Sete Encruzilhadas pela mediunidade de seu protegido, o filho Zélio, nas terras da Santa Cruz.

Mas se a grande maioria dos filhos ainda não sabe o que “é” Umbanda,  já é tempo de saber o que a Umbanda “não é!”. Umbanda não é culto a Orixá. Umbanda é culto á caridade. Umbanda cultua o amor, a humildade,a simplicidade, o respeito a natureza, o respeito ao semelhante, a alegria de servir, de sentir-se privilegiado em poder estender a mão em nome da fraternidade, de olhar o universo com reverência e falar com o Pai Supremo com profunda veneração!

O Orixá, que nós muito respeitamos, Senhor da Luz Primaz, esta energia cósmica e Onipresente, não necessita culto. Eles são o que são com ou sem o reconhecimento dos filhos de fé! São como a luz do sol, que muito embora desponte no horizonte em seu carrilhão de fogo quando ainda muitas criaturas ainda dormem, nem por isso brilha menos na sua magestosa apoteose de luz!

A Umbanda desceu ao plano físico por ordem dos Orixás, para que a humanidade, compreendendo Sua existência, reverenciasse o Criador dos Mundos, O Senhor dos Universos, Deus, Nosso Pai Celestial. A Umbanda se fez presente através da força dos Senhores Solares como uma benção em favor das ignorâncias estagnadas, intelectualizadas, que hipertrofiam seus cérebros com conhecimentos e esvaziam seus corações de sentimentos mais dignos! As forças gigantescas do universo, os Portentosos Senhores do carma, não necessitam ser cultuados, bastando que Os respeitem através do amor incondicional ao próximo e que representem este amor, não acendendo velas em seus santuários nem com
oferendas em seus congás; mas que Os reverenciem na luz interior de seus próprios corações, reeducados no serviço ao próximo e na comunhão de todos no sentido da elevação da consciência através dos ensinamentos dos Grandes senhores Avatares que já estiveram aqui neste
mundo, como Moisés, Krishna, Buda, Zoroastro, Jesus…Todos, como grandes estrelas descidas dos céus, trouxeram, cada um a seu tempo,verdadeiras pérolas do conhecimento da Sagrada Árvore da Vida Eterna
mas a humanidade, em sua pequenez de alma e gigantismo de egos,traduziu e ensinou as escrituras de acordo com sua limitada compreensão, degenerando o verdadeiro conhecimento que andou por caminhos escusos, fomentando desprezíveis defecções na mensagem que deveria ser a maior herança para a humanidade.

Assim é que este “nego véio”, sem o palavreado simples da senzala, vem pedir aos filhos de terreiro, que, se não podem ou não conseguem ainda compreender a Umbanda, que deixem o tempo, Mestre por excelência,trazer o conhecimento no momento certo, quando a consciência dos filhos estiverem mais maduras. Por ora, se quiserem de boa vontade realizar a Vontade do Pai Supremo, e agradar aos Orixás, que verguem para baixo seus narizes, quase sempre empinados e olhem para os irmãos
infelizes que sem poderem acreditar em Deus de estômagos vazios e corpos nus, necessitam urgentemente acreditar nos homens, na palavra dos filhos de fé, no carinho da compaixão tal qual Jesus vos exemplificou. Isso trará mais esperança nos homens e maior compreensão de Deus e de Sua Justiça. A luz não pode ficar embaixo do alqueire,filhos meus, assim como também o discernimento e a coerência.

A Umbanda não é circo! Não é lugar para shows populares nem de mágicas ilusórias. A Umbanda é Sagrada, Orixá é Sagrado como também é Sagrado o filho de Deus que caminha por este mundo debaixo de provações e que necessita da compaixão e do carinho de seus irmãos de jornada. Pai
véio vai embora, Aruanda chama, a lua já vai alta no céu, a sineta bateu. Mas “véio” volta outra vez pra falar de coração a coração.

Saravá Umbanda!
Pai João do Congo.

Nota do editor:

Queremos deixar claro que não somos contra ou menosprezamos aqueles
que expressam sua espiritualidade através de oferendas aos Orixás,
desde que de forma saudável e digna. Todos têm o livre arbítrio para
acender velas ou fazer oferendas, de acordo com sua afinidade
espiritual e os princípios da manipulação energética (magia) nos quais
se orienta.

O que foi proposto pelo autor, no artigo acima, é que o umbandista
tenha consciência que a maior oferenda a Deus (e aos Orixás) é o amor
no coração e a paz na consciência, revertidos em favor ao próximo
através da caridade. Isso vale mais do que mil velas acesas ou
toneladas de frutas…

Os espíritos que orientaram Allan Kardec, na codificação espírita, não
foram contra as oferendas, mas também quiseram demonstrar que o
equilíbrio interior e a prece do coração são mais importantes a Deus.
Vejamos o Livro III, capítulo 2 de O Livro dos Espíritos (Lei de
adoração):

“653 – A verdadeira adoração necessita de adorações exteriores?

A verdadeira adoração é a do coração. Em todas as vossas ações, pensai
sempre que o Senhor vos observa.

653-a – A adoração exterior é útil?

Sim, se não for um vão simulacro. É sempre útil dar um bom exemplo,
mas os que fazem só por afetação e amor próprio, e cuja conduta
desmente sua aparente piedade dão um exemplo antes mau do que bom e
fazem mais mal do que supõem.

654 Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo?

Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com
sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, àqueles que acreditam
honrá-lo por cerimônias que não os tornam melhores para com seus
semelhantes. Todos os homens são irmãos e filhos de Deus; Ele chama
parasi todos que seguem Suas leis, qualquer que seja a forma em que se
exprimam.
Quem tem apenas a piedade aparente é hipócrita; aquele em que a
adoração é apenas fingimento e presunção, em contradição com sua
conduta, dá um mau exemplo.

Aquele que faz da adoração do Cristo uma profissão e que é orgulhoso,
invejoso e ciumento, que é duro e implacável para com os outros, ou
ambicioso pelos bens deste mundo, eu vos digo que a religião está nos
seus lábios e não no coração. Deus, que vê tudo, dirá: aquele que
conhece a verdade é cem vezes mais culpado do mal que faz do que o
ignorante selvagem que vive isolado e será tratado desse modo no dia
da justiça. Se um cego vos derruba ao passar, o desculpareis; se é um
homem que vê claramente, vos queixareis e tendes razão. Não
pergunteis, portanto, se há uma forma de adoração mais conveniente,
porque isso seria perguntar se é mais agradável a Deus ser adorado
antes em uma língua do que em outra. Eu vos digo ainda mais uma vez:
os cânticos apenas chegam a Ele pela porta do coração”.

(…)

Paz e Luz!

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