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Um Dia Num Terreiro de Umbanda outubro 4, 2008

Posted by raizculturablog in Cultura & Massas.
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Um Dia Num Terreiro de Umbanda

Vovó Maria Conga da Bahia

(Médium Mãe Iassan)

Era dia de gira. O terreiro já estava todo limpo e preparado.

Os médiuns responsáveis pela limpeza daquele dia conversavam
alegremente.

A dirigente e as mães pequenas já haviam feito todas as firmezas e podiam agora se juntar aos demais médiuns para um entrosamento maior.

O ambiente era tranqüilo e feliz.

Duas horas antes do início efetivo da sessão começaram a chegar os demais médiuns pertencentes a Casa.

Uns mais efusivos que outros como ocorre em todo grupo, todos secumprimentam alegremente.

Faltando uma hora para o início dos trabalhos é iniciada a
palestra destinada a assistência e médiuns.

Com a palestra já quase no fim, eis que chega Dora, médium de
pouco mais de três meses na Casa.

Entra quieta e apressada, cumprimenta os irmãos de corrente com um
“Oi” geral, um sorriso amarelo e vai direto para o vestiário
trocar de roupa. Alguns médiuns se entreolham sem saber o porque
daquela irmã nunca se entrosar com eles.

Chega sempre em cima da hora da sessão, nunca se oferece para ajudar
na faxina do terreiro e nem participa das obras assistenciais. Mesmo
quando é sessão de desenvolvimento, entra muda e sai calada.

Essa atitude dela vem já causando algum desconforto entre alguns
médiuns, que resolvem, com a “melhor das boas intenções”
perguntar a Mãe no Santo, faltando menos de 15 minutos para o
início da sessão, se ela não sabe o porque desse
“descaso” para com os irmãos e para com a própria Casa.

A Mãe no Santo responde:

– Deixem a Dora em paz… ela tem compromissos previamente assumidos que
a impedem de estar mais tempo junto de nós. Isso não significa que
ela não gosta da Casa ou de nós. Por que ao invés de ficarem
especulando não tentam colocá-la mais a vontade em nossa Casa?

Mas Rodrigo é curioso… e dispara:

– Mas Mãe, nem quando ela chega aqui ela fala com a gente direito…
Entra muda e sai calada. Assim fica difícil fazer amizade com ela.

– Ela é tímida. Não lhe passou pela cabeça que a sua forma
de aproximação pode assustá-la ou afastá-la? Menos julgamento,
meu filho e mais amor…

Rodrigo não gostou da resposta da Mãe, mas silenciou pois o olhar
dela lhe disse que o assunto estava encerrado, até porque a sessão
já ia começar.

– Vão para dentro do terreiro… diz a Mãe. Preciso me preparar.

Rodrigo vai para dentro do terreiro determinado a descobrir os “tais
compromissos” e se Dora era realmente tímida ou antipática.
Afinal, ele trabalhava tanto, fazia tanto pela Casa limpava, fazia
faxina, chegava cedo no terreiro, participava das aulas, palestras,
sessões de desenvolvimento… e tinha o mesmo tratamento que Dora?
Recebia da Mãe o mesmo sorriso, a mesma atenção… Não achava
justo isso. Ia dar um jeito de mostrar para a Mãe que ela estava
sendo condescendente demais com aquela médium tão inexpressiva e
indisciplinada.

Começa a sessão… os trabalhos transcorrem normalmente. Dora
incorpora pela primeira vez o seu Caboclo… Saúda o Caboclo chefe e
diz ao Caboclo da Dirigente:

– Esse Caboclo tá muito satisfeito com o que seu aparelho vem fazendo
com minha filha. Ela precisa de muita orientação e amparo. Não
permita que turvem os olhos e o coração do seu aparelho com
maledicências…

O Caboclo chefe responde:

– Pode ficar tranqüilo. Meu aparelho já sabe.

Ao ver que Dora havia incorporado, Rodrigo sente aumentar ainda mais a
sua inveja… e pensa “Agora que ela vai ter mais atenção
mesmo… se sem incorporar nada já recebia atenção… agora
então…” Rodrigo tenta em vão escutar o que os Caboclos
estão dizendo. A sua ansiedade não permitiu que ele mesmo
incorporasse seu enviado de Oxoce. Desequilibrou-se e acabou ficando sem
receber as irradiações maravilhosas de seu guia, que tenta
exaustivamente chamá-lo a razão, dizendo a seu ouvido:

– Meu filho, reflita no real motivo que se empenha tanto em ajudar na
Casa. É por humildade ou para “aparecer”. A Mãe tem que
zelar por todos igualmente e é óbvio que irá se preocupar com
os que mais necessitam. Abranda o teu coração e sossega teu
pensamento para que possa fazer o que devia ser o teu primeiro objetivo
aqui… praticar a caridade servindo de aparelho para mim e a tua Banda
toda…

Mas nada… Rodrigo não lhe dava ouvidos. A corrente da Casa já
havia anulado a ação dos espíritos trevosos que circundavam o
terreiro, mas eles encontravam dificuldade em afastar alguns pois
estavam encontrando ressonância de sentimentos em Rodrigo que estava
com a “guarda aberta”.

O Caboclo Chefe, Sr. Pena Branca, foi avisado pelos guardiões o que
estava se passando. Ele olhou Rodrigo que de tão cego que estava
não percebeu o olhar do Caboclo. O sr. Pena Branca avançou em
direção a Rodrigo que cantava pontos sem prestar a menor atenção a
o que estava acontecendo a sua volta, pois o seu olhar estava fixo sobre
Dora incorporada. Quando deu por conta, Sr. Pena Branca estava na sua
frente… e falou:

– Curumim! Presta atenção na gira e não em médium. Presta
atenção ao seu guia…

– Mas eu não estou sentindo a vibração dele… acho que não vem
hoje…

– Ele está do seu lado! Sempre! Ele tem compromisso com você e com
a Casa. Você é que está preocupado com coisa que não é
para se preocupar e nem saber. Coisa que não deveria ser do seu
interesse. Cuida do teu e do que veio fazer aqui!

Ato contínuo eleva a mão sobre a testa de Rodrigo sem tocá-la
buscando cortar o elo de ligação com os espíritos trevosos que
desta feita insistem em atuar no mental de Rodrigo.

Rodrigo fecha os olhos e balança suavemente para frente e para
trás… o Sr. Pena Branca dá o seu brado e o Caboclo Flecheiro
incorpora em Rodrigo.

Os dois conversam. O Sr. Pena Branca pede que seja enérgico com
Rodrigo. Que o oriente a deixar os assuntos que não sejam de sua
alçada fora de seus pensamentos. Que não seja intransigente com os
irmãos, que controle a sua curiosidade e julgue menos. Que veja todos
os irmãos iguais e que se conscientize do seu papel dentro do
terreiro e dentro da Umbanda.

O Caboclo Flecheiro promete que irá continuar trabalhando mas que
Rodrigo tem o seu livre arbítrio e pede ajuda nessa tarefa. O Sr.
Pena Branca promete interceder também.

Iniciam as consultas e o trabalho transcorre com tranqüilidade.

Ao término da sessão Dora é só sorrisos. Feliz por haver
incorporado pela primeira vez o seu Caboclo, quase corre para perto da
Mãe e a abraça agradecida.

– Mãe, obrigada! As suas palavras ontem me deram novo incentivo, nova
vida. Renovaram o meu desejo de crescer, estudar, evoluir. Fiz tudo
direitinho conforme a senhora orientou e hoje vi que não estou
louca… Cheguei aqui hoje ainda com um pouco de medo. Mas… Ele existe
mesmo e a sensação é maravilhosa. Aqui é a minha Casa por que
é a Casa Dele. Além do mais, hoje quando fui fazer a entrevista de
emprego, me saí tão bem que já começo a trabalhar na
segunda-feira e terei mais tempo para me dedicar ao Centro e aos estudos
da espiritualidade.

A Mãe sorri e responde:

– Viu minha filha? Todos nós passamos por isso, sentimos esse medo,
essa insegurança… só que alguns esquecem que um dia foram
inseguros e tiveram seus problemas também.

Nesse momento a Mãe lança um olhar significativo para Rodrigo que
abaixa a cabeça envergonhado.

Dora acompanha o olhar da Mãe e vê Rodrigo. Dirige-se a ele
sorrindo e com os olhos cheios de lágrimas, diz:

– Rodrigo, você me ajuda? Gostaria muito de ajudar na limpeza de
nosso terreiro e em todas as tarefas disponíveis, agora que arrumei
outro emprego e não trabalho mais em dia de sessão. Como posso
fazer? Falo com quem? Você sempre foi tão prestativo e atencioso
comigo… pode me ajudar?

Felizmente a excitação de Dora não permitiu que ela percebesse o
quão desconcertado e envergonhado Rodrigo estava, pois ele ouvira na
íntegra a conversa entre o seu Caboclo e Sr. Pena Branca e agora
ouvia aquilo…

A Mãe no Santo sorri. Mais uma lição havia sido aprendida por
aquele filho tão querido. Ela volta-se para o Congá e sorri ao
olhar a imagem de seu Caboclo e em pensamento diz: “Obrigada Pai!
Obrigada Umbanda pela oportunidade do aprendizado constante!”

Mensagem Inspirada por Vovó Maria Conga da Bahia

Médium Mãe Iassan

30 de março de 2007

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Comentários»

1. jose newton - agosto 4, 2009

muito lindo essa mensagen me arreipei todo

2. sonia maria - setembro 25, 2009

Linda mensagem ! me emocionei e as lagrimas desceram.sua benção vovo maria conga da bahia.

edegardo - fevereiro 7, 2010

eu tbm pensava como rodrigo mas agora compriendo. é q na minha casa eu tenho deveres q cabem só a mim no papel de cambono e pensava q era explorado, mas agora entendo q só eu posso fazer algumas tarefas e me sinto orgulhado

3. Monica Baptista - agosto 17, 2010

Linda demais ! é o que realmente acontece as pessoas se preocupam tanto com as outras que não olham para si mesmas
Eu desde de que meu finado zelador se foi não consigo ficar em casa nenhuma pois ele nos ensinou a humildade coisa que nos terreiros não existe mais
Muito axe para voces! que nossa religião evolua.

4. richard mattos araujo - setembro 13, 2012

onde tem um centro de umbanda em pimdamonhagaba manda no meu msn kaueri12@hotmail.com

richard mattos araujo - setembro 13, 2012

se vc saber de algum e logico brigada


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