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Sobre o Sacerdócio na Umbanda e Consagração Sacerdotal no CECP janeiro 17, 2009

Posted by raizculturablog in Cultura & Massas.
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Texto escrito a quatro mãos: Mãe Iassan, Mãe Márcia , Pai Norberto  e Mãe Luzia  Com a concordância de Mãe Leni e Mãe Vanessa Dirigentes de Umbanda Com alguma regularidade, chegam até nós solicitações de médiuns de todo país para serem consagrados sacerdotes de Umbanda.

Contam suas histórias, algumas bem “mirabolantes”, cheias de pirotecnia, mas a grande maioria também, não nos falam de tempo de trabalho em terreiro, orientações consistentes de guias e protetores e experiência mediúnica prática. Geralmente falam que estão insatisfeitos com o terreiro em que se encontram, que o dirigente não tem conhecimento de causa, que não concordam com a forma como os trabalhos são dirigidos, se sentem colocados em segundo plano e/ou que receberam ordem de seu caboclo ou preto velho para abrir um terreiro. Agravam-se estes queixumes quando os pretendentes à consagração sacerdotal não aceitam os ritos do terreiro que estão vinculados, achando-se melhor que todos os demais, preparados, coisa e tal. Não é incomum, imputarem ao chefe de terreiro como deve ser a sua vida pessoal fora do centro, num patrulhamento “moral” pior que o da inquisição, como se para estar a frente de um congá tivéssemos que ser um Francisco de Assis, Chico Xavier ou Gandhi. Muitas vezes, estas criaturas se preocupam mais com os outros que com elas mesmas, e por sua rigidez psicológica, acabam sendo eternos insatisfeitos, pois mudam regularmente de agrupamento e nunca encontram satisfação de suas almas, dado que condicionam ao exterior e aos outros sua felicidade e bem estar espirituais, esquecendo-se de olharem para dentro de si mesmos. Alegam possuírem humildade, quando percebe-se claramente que é uma “falsa humildade”, pois estão, na realidade movidos pela vaidade, prepotência e/ou aspiração de poder e o status de pai ou mãe no santo. Ah! Se esses médiuns pudessem compreender as dificuldades e profundas responsabilidades que vem com esse pretenso “poder”!!! Em função disso, resolvi escrever esse artigo que visa apenas chamar a atenção daqueles que acham ou acreditam que num passe de mágica se dá a coroação ou consagração de um sacerdote umbandista. Em primeiro lugar se deve deixar bem claro que Umbanda Consagra e que “fazer o Santo” não é ritual de Umbanda Aos que acreditam que a consagração se dá através apenas de vontade de ser consagrado, pode “tirar o cavalinho da chuva”, porque não se aprende em livros, cursos e escolas. Umbanda se aprende dentro do terreiro, em cada consulta, em cada gira, em cada atividade social, em cada louvação a Orixá. Nada substitui e nem é maior do que a bênção da orientação confirmada das entidades que nos orientam, e essa orientação sempre estará relacionada a maturidade mediúnica demonstrada pelo médium para com a sua banda e para com o trabalho da Umbanda, o que não ocorrerá da noite para o dia. Portanto, nada! Guia, protetor ou mentor algum irá dar essa orientação se o médium tiver recém ingressado nas linhas de trabalho da Umbanda. É necessário um tempo de preparação interiorizando- se a essência da umbanda, sua simplicidade, amor e caridade. Uma vez que todos eles – os Guias, Protetores e Mentores, sabem a importância para seus médiuns em vivenciarem as etapas necessárias no aprendizado até chegarem a uma Consagração Sacerdotal. Na realidade existe uma “coisinha” que chamo de “coroa de chefia”. Trata-se apenas de um termo que uso para diferenciar os grupamentos de médiuns. O termo Consagração quer dizer aprovação, ou seja, outorga espiritual da Banda que acompanha o médium, bem como da Cúpula Espiritual da Casa onde o médium faz parte da corrente. Quando chega a hora a entidade chefe do médium começa a sinalizar consistentemente que “alguma coisa” precisa ser feita. Lentamente, vai se formando no mental do médium os caminhos que deve trilhar para descobrir o que é essa “alguma coisa”. Através do tempo, da consistência de trabalho, tudo começa a ficar mais claro no mental do médium, que deve se dirigir ao seu sacerdote e dividir com ele as suas orientações (isso quando o seu próprio guia não o faz). Pai Pena Branca sempre fala que não adianta querermos avançar se não dominamos nem o simples, o trivial, o cotidiano. Assim, com as devidas particularidades de cada um, aconteceu com todos os dirigentes consagrados no CECP. Todos trazem essa missão, todos trazem a “coroa de chefia” em seus oris. Todos passaram por ritos litúrgicos dentro do CECP. E todos eles, mesmo com suas experiências individuais de anos de trabalho, tiveram humildade suficiente para ver a necessidade de serem consagrados. E mesmo assim, perseveraram! Isso é um fator determinante para ser um sacerdote da Egrégora de Pai Pery. É aí que deve sempre nortear o caminho do médium o desejo sincero de servir, pois na sabedoria assim se diz: “Quando o discípulo está preparado o mestre aparece.” Em nenhum deles houve o sacrifício de animal e nada lhes foi cobrado financeiramente ou materialmente. Entretanto, muito lhes foi exigido de dedicação, conhecimento, experiência e humildade mediúnicos, coisas que para eles foi absolutamente natural, pois traziam em seu ori e já eram de fato sacerdotes, só faltava serem de direito. Esta preparação sacerdotal culminou no ato da benção com a mão sobre o coronário do consagrado, mas iniciou muito antes, encarnações e encarnações forjando o espírito para este momento existencial cármico de extrema responsabilidade. Por isto, não basta querer ser, “estar sacerdote”. O espírito tem que SER verdadeiramente, vibrar em sua natureza de dentro para fora, para que o rito externo seja uma consolidação, um meio de ligação e assentamento no plano material de sérios compromissos espirituais assumidos de longa data pretérita. Outro fator interessante de ser ressaltado é que nem todos que eu tenho a graça de visualizar a “coroa de chefia”, são para serem consagrados por essa egrégora, pois como nós sacerdotes sempre precisamos aprender mais e trocar conhecimentos, é necessário uma egrégora unida e para isso afinidade de pensamento e orientação missionária entre os mentores de cada Casa. É necessário que haja união, empatia e afinidade entre nós todos, os sacerdotes, pois apesar de eu ser o veículo utilizado materialmente pelo Alto para consagrá-los, não me posiciono “acima” deles, pois sou apenas o elo de ligação material entre todos. Quando os médiuns estão em sintonia com a Egrégora e fazendo juz a uma consagração por tudo o que já foi exposto acima, eles entenderão que muito mais que estar na Casa ou ser consagrado pela Sacerdotisa da Casa, ele em si é a própria Casa, são uma semente Dela, uma extensão da mesma. Sendo cada qual uma viga importante da viga mestra dessa construção. Então, nesse contexto, na Egrégora de Pai Pery, a vitória de um é a de todos. Isso explica e justifica médiuns que saem do CECP para serem consagrados em outras Casas e também os que buscam o CECP e vemos (eu e/ou o médium) que não há afinidade de propósitos suficientes que o leve a ingressar nessa egrégora. E entrar na Egrégora de Pery é atravessar um Grande Portal, onde a senha para o mesmo é caridade, caridade, caridade. Por isso é bom cada qual refletir ante ao que o move. Eu não brinco de consagrar dirigente! E não adianta ficar “batendo pezinho”! E nem sair falando que eu não tive competência de enxergar a sua “coroa de chefia” maravilhosa e o grande dirigente que eu “perdi”! Não estou aqui para agradar encarnado! Meu compromisso é com os guias, protetores, mentores e Orixás. Até porque a sua “coroa de chefia” pode realmente ser maravilhosa, espetacular, linda de morrer, enorme, etc… Mas se não houver afinidade missionária, não dá prá ser. Se eu não receber ordem direta do Alto, não vai acontecer. Aí sugiro que procure outro sacerdote para consagrá-lo, sem magoas ou melindres. Até porque o verdadeiro futuro sacerdote não tem tempo a perder. Temos que respeitar a afinidade de cada criatura. Afinal, na umbanda que praticamos um sacerdote não prescinde de ser médium, ao contrário de outras religiões e cultos, que a consagração sacerdotal não tem como pré-requisito a mediunidade. Assim, se o que te move ao encontro da insígnia sacerdotal são os títulos de mago, mestre, babalorixá, yalorixá,…; natural que deva procurar outro terreiro mais afim com seus anseios espirituais, mesmo que não seja na umbanda. Assim também muitos vêm para a umbanda de outros cultos, como o pólen das flores que se espalham num imenso jardim existencial, plasmado pela diversidade das almas neste planeta. Afinal de contas como dissera certa vez Pai Sete Flechas: “a Umbanda não é um show! E se há algum filho na corrente com essa intenção digo desde já, que está em local errado! Não tendo a Umbanda nascido ainda em seu coração.” Minha preocupação maior sempre será manter essa egrégora unida para ser forte, pois não é objetivo da egrégora ter 200 terreiros filiados, mas sim a qualidade de trabalho, que só se dá com afinidade de propósitos de expandir a caridade, respeitando o livre-arbítrio de cada um, as orientações dos mentores de cada um, a experiência de cada um, tendo sempre em mente as orientações primeiras de Pai Pery, que são: jamais haver nenhum tipo de cobrança por nada sagrado (consultas, trabalhos, passes); jamais haver sacrifício de animais em rituais abertos ou fechados e não haver ingestão de bebida alcoólica por parte do médium incorporado, por fugir completamente ao que se chama prática da caridade. Portanto, não houve em nenhum dos casos fórmula mágica! Plim! Agora você é um sacerdote! Houve trabalho, muito trabalho antes disso. Eles foram médiuns de trabalho! Limparam terreiro (faxina mesmo), deram muita consulta, cuidaram muito dos terreiros que se desenvolveram. Nada foi de “mão beijada”, mas foi natural em suas vidas. Com tudo isso explicado, espero que antes de nos procurarem em nossos terreiros ou nos enviarem um e-mail cheio de empáfia e vaidade (mesmo que velada), achando-se ou sentindo-se melhor médium do que seus irmãos de caminhada, pensem e revejam mesmo se é isso que o Alto deseja. Veja se tem condições espirituais e financeiras de iniciar um terreiro, pois quando é prá ser, o Alto nos mostra o caminho e nos dá condições. Até porque o sacerdote não é melhor médium que ninguém, mas sim é o que mais tem a resgatar e a espiritualidade superior achou por bem lhe dar essa “coroa de chefia” para auxiliá-lo nesse resgate. Para ser sacerdote consagrado pela egrégora do CECP é preciso amar a Umbanda incondicionalmente, encarar a sua missão com seriedade, alegria e humildade. Ter a consciência de que está em nossas mãos o Futuro da Umbanda. O som do atabaque, a inspiração das curimbas, riquezas essas que não silenciaram nem sob chicotes, nem sob escravidão, nem sob a forma mais bruta e grotesca de homens que se diziam civilizados. Ter essa consciência é, acima de tudo, trazer e fazer no nosso tempo a alegria que foi roubada no passado. Entendendo que não somos melhores do que ninguém, mas sim os mais necessitados de amparo do Alto, para honrarmos a missão que nos foi confiada. Portanto, tem antes que aprender a ser médium! E aprender a ser médium não é só incorporar Guia, sentir vibração das energias-Orixás e dar consulta. Antes tem que aprender a ser gente.

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Comentários»

1. Renata Daher - janeiro 18, 2009

Em mais de 20 anos de vivência na Umbanda nunca li ou ouvi nada tão apropriado sobre “ser” ou “estar” dirigindo um terreiro. O que fico tentando compreender, é o porque de tantos dirigentes espirituais se perderem ao longo do caminho, indo para o envaidecimento, valer-se das casas espirituais para crescimento material próprio ou ainda para transformarem a prática tão simples e singela da Umbanda em verdadeiros “shows”…
Enfim, parabens por tão sábias palavras!

Renata de Obá

2. Paulo Antonio do Prado - janeiro 3, 2014

Linda expressão da fé.
Nos meus treze anos de dedicação a fé já presenciei muitos fatos semelhantes. Posso até dizer que fui um deles quando na busca por “rituais” e “formulas sacerdotais” que minha querida mãe não pode ou não soube me repassar, também vaguei por outras terras. Hoje reconheço que mais que rituais e formulas de consagração é a fé e a benção dos Orixás e de nossos Caboclos que realmente nos investem com a autoridade para representa-los neste plano de existência. Se vou jogar pétalas de rosas no chão do terreiro ou cantar o hino da umbanda durante o ritual, isso na verdade pouco importa, pois na verdade são Eles, os verdadeiramente investidos com a autoridade para consagrar o médium a um pretenso cargo.
Que Oxalá continue a guia-los queridos irmãos.
Paulo de Ogum


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