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Primeiro Terreiro de Candomblé. outubro 9, 2008

Posted by raizculturablog in Cultura & Massas.
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TRANSCRIÇÃO COMPLETA DO LIVRETO
EM HOMENAGEM A MAIS ANTIGA CASA DE AXÉ DO BRASIL

José Abade de Oliveira
Ótun Olu K’otun Jagun

Máxima da Casa Branca:

E NI SE IRE SE E FUN ARA RE
E NI SIKA SE E FUN ARA RE
IRE KO NI SAI GBE NI, IKA KO NI
SAI KA ONIKA, BI INU BA MO ESINSIN
ONIKA KOLE KUN NI.

Tradução:

Aquele que faz o bem
Faz bem a si mesmo
Aquele que faz o mal
Faz mal a si mesmo
A virtude tem sua boa recompensa
E o mal sua conseqüência má,
Mas se a consciência de alguém
É clara, a mosca má enviada…
Pelo mal, não faz mal.

Ilê Axé Iya Nassô Oká / Terreiro da Casa Branca
No período da escravidão no Brasil, os negros formavam suas  comunidades nos engenhos de cana. Na Bahia, princesas, na condição de  escravas, vindas de Oyó e Keto, fundaram um centro num engenho de
cana. Depois se agruparam num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Nagô, que segundo historiadores, remonta mais ou menos 300 anos de existência. Sabe-se que esta comunidade fora fundada por três negras africanas cujos nomes são: Adetá ou Iya Detá, Iya Kalá e Iya Nassô. Não se tem certeza de quem plantou o Axé, porém o Engenho Velho se chama Ilé Iya
Nassô Oká. O Ilê Iya Nassô funcionava numa Roça na Barroquinha, dentro do
perímetro urbano de Salvador.
Os africanos que se encontravam ali, lugar deserto naquela época, porém próximo ao Palácio de sua Real Majestade, tiveram receio da intervenção das autoridades no seu Culto, daí, Iya Nassô resolveu  arrendar terras do Engenho Velho do Rio Vermelho de Baixo, no trecho chamado Joaquim dos Couros, lugar onde se encontra até hoje, estabelecendo aí o primeiro Terreiro de Culto Africano na Bahia.
A Iya Nassô, sucedeu Iya Marcelina. Após a morte desta, duas das suas filhas, Maria Júlia da Conceição e Maria Júlia Figueiredo, disputaram a chefia do candomblé, cabendo à Maria Júlia Figueiredo que era a
substituta legal (Iya Kekeré) tomar a posse de Mãe do Terreiro. Maria Júlia da Conceição afastou-se com as demais discidentes e fundaram outra Ilé Axé, a saber: Ilê Omi Axé Iyá Mase. – Gantois.
Substituiu Maria Júlia Figueiredo na direção do Engenho Velho, a Mãe Sussu (Ursulina de Figueiredo). Com a sua morte nova divergência foi criada entre suas filhas, Sinhá Antonia, substituta legal de Mãe
Sussu, por motivos superiores não podia tomar a chefia do Candomblé, em conseqüência o lugar de Mãe foi ocupado por Tia Massi (Maximiana Maria da Conceição).
Vencendo o partido da Ordem, os discidentes inconformados fundaram então uma outra Ilé Axé. Talvez seja oportuno abrir um parêntese. O explanador é sobrinho de Sinhá Antonia e Ogan de Oxaguian da Tia
Massi. Maximiana Maria da Conceição, Tia Massi foi sucedida por Maria
Deolinda, Mãe Oké. A direção sacerdotal do Engenho Velho foi posteriormente confiada à Marieta Vitória Cardoso, Oxum Niké, que, com sua morte, foi substituída pela Mãe Tatá . Atualmente, assumiu a chefia da Casa, a Iyalorixá Altamira Cecília dos santos, Mãe Tatá, filha legítima de Maria Deolinda.

Sociedade Beneficente e Recreativa:
A Sociedade Beneficente e Recreativa São Jorge do Engenho Velho que representa o candomblé da Casa Branca foi fundada a 25 de julho de 1943, registrada no Cartório Especial de Títulos e Documentos em 2 de maio de 1945 sob nº 15.599, declarada de utilidade pública pela Lei Municipal 759 de 31 de dezembro de 1956, é regida por Estatuto e tem personalidade jurídica.
Sua Diretoria é composta por um presidente, um vice, 1º e 2º secretário, 1º e 2º tesoureiro. Assembléia geral, com presidente, 1º e 2º secretários. Comissão fiscal, composta por três membros.
Atualmente a Diretoria da Sociedade é exercida pelo Sr. Antônio Agnelo Pereira. Ministro de Oxalá, Oxogum e Obalaxé do Ilé Iya Nassô Oká, Casa Branca.
A Diretoria de Honra da Entidade é composta pela Trilogia Sacerdotal do Axé, atualmente representada nas pessoas da Iya Altamira Cecília dos Santos, Iya Juliana da Silva Baraúna e Iya Areonite da Conceição
Chagas.
Existe ainda a Diretoria do Patrimônio e uma Comissão de Defesa do Patrimônio.

O Terreiro
O Terreiro é de Oxossi e o Templo principal é de Xangô. O Barracão que tem o nome de Casa Branca, é uma edificação alongada com várias divisões internas que encerram residências das principais pessoas do
Terreiro, como também espaços reservados aos quartos de Orixás, quarto de Axé, Salão onde se realizam as festas públicas, bem como a cozinha onde se preparam as comidas sagradas. Uma bandeira branca hasteada no Terreiro indica o caráter sagrado deste espaço. No telhado do
Barracão, símbolos de Xangô identificam o Patrono do Templo.
O terreno fica situado numa encosta que se estende até uma cota de 30.00m com declividade de 30%, no lado direito da atual Av. da Gama, o sentido de progressão para o Rio Vermelho, entre as Ladeiras Manoel
do Bonfim e do Bogun, na Unidade Espacial C-5 em Salvador – Bahia.
Ocupa uma área de 6.000m². Tem como endereço, Av. Vasco da Gama, 463.
Em redor do Barracão existem várias casas de Orixás.
As obrigações religiosas da Ilé Axé começam no fim de maio ou princípio de junho com a Festa de Oxossi. A Festa de Xangô Airá tem lugar a 29 de junho. Na última sexta-feira de agosto, realiza-se a
Cerimônia da Água de Oxalá, seguindo-se os três domingos consecutivos, nos quais se festeja Odudwa no primeiro, Oxalufan no segundo e a Festa do Pilão em homenagem a Oxaguian, no último domingo. Na segunda-feira imediata, festeja-se Ogum e na seguinte Omolú. Havendo, no entanto, um espaço para iniciação de novas filhas, prossegue as festas em louvor a Yansã, Xangô, Iabás e Oxum, terminando o ciclo festivo no final de novembro.

Situação atual.
No iníco, as atividades do Ilé Axé sofreram perseguições da Sociedade e por parte da Polícia. Já no período da República, o candomblé fora proibido de exercer as suas atividades e os Terreiros ficaram
subjugados à Delegacia de Jogos, Entorpecentes e Lenocínio. Hoje, porém a situação é diferente. Existe na Prefeitura de Salvador, o Projeto MAMNBA da Pro-Memória, sob a direção do Antropólogo o Dep
José Trindade Serra, cujo objetivo é proceder ao Mapeamento de Sítios e Monumentos Religiosos Negros na Bahia.
Em 14 de junho do corrente ano, o Ministério da Cultura, a Prefeitura Municipal de Salvador e o Ministério da Relações Exteriores, em conjunto lançaram oito postais sobre a Ilé Axé Iya Nassô Oká e a
revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional publicaram – A Coroa de Xangô no Terreiro da Casa Branca – em separata do número 21/1986. Chegou então a hora da proteção a todos os Terreiros de
Candomblé do Estado. Língua Yorubá nos Currículos de 1º e 2º graus.
Diante da solicitação da Sociedade Beneficente São Jorge do Engenho Velho, conforme fundamentação e comprovação firmada pelo presidente, Sr. Antonio Agnelo Pereira, cultor de etnografia afro e diplomado em Língua Yorubá pelo Centro de Estudos Afro Orientais da Universidade Federal da Bahia, o Conselho Estadual de Educação aprovou introdução da Língua Yorubá nos Currículos de 1º e 2º Graus nos Colégios de Rêde de Ensino do Estado.
Saudação.
O Ilé Axé Iya Nassô é o 1º Templo de Culto Religioso Negro no Brasil – Casa Branca do Engenho Velho.
É o primeiro Monumento Negro considerado Patrimônio Histórico do Brasil desde o dia 31 de maio de 1984 (Tombamento do Terreiro do Engenho Velho).
Antes disso, em 1982, o Terreiro já havia sido tombado como Patrimônio da Cidade do Salvador 1ª Capital do Brasil.
Em 1985 o Terreiro do Engenho Velho foi considerado Axé Especial de preservação Cultural do Município de Salvador.
A Sociedade São Jorge do Engenho Velho, representante legal da Comunidade do Ilé Axé Iya Nassô Oká foi considerada de utilidade pública Municipal e Estadual. É Membro do Conselho Geral do Memorial
Zumbi.
Atualmente está feito o Plano de preservação do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho e prepara-se o Projeto de Recuperação da área  em convênio com o Ministério da Cultura e a Prefeitura Municipal do
Salvador.
O Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, mais antigo do Brasil, tem como Iyalorixá a Venerável Altamira Cecília dos Santos, secundada pelas veneráveis Iya Kekeré Juliana da Silva Baraúna e Otun Iya Kekeré Areonite Conceição Chagas.
Possui um vasto Colégio Sacerdotal composto pelas Iya bomin, Ogans e Olossés, além de muitas Iyaôs e Abians.
Em nome da Iyalorixá e de todo o Corpo sacerdotal do Terreiro, transmitimos nossas saudações aos irmãos negros dos Estados Unidos e de todo o Mundo.
Abraçamos também os Povos e Nações existentes no Continente Americano e todos os Homens de boa vontade pela Paz e Igualdade de todos.
Axé.

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Comentários»

1. Jose Carlos Marcelino da Silva - dezembro 24, 2008

estou com um terreiro e gostaria te torna-lo um a asssociação e não estou sabemdo como faze-lo peço ajuda e colaboraçao neste sentido. Muito Axé.

Isaura Genoveva - maio 12, 2009

Olá José

primeiramente, vc precisa fazer uma reunião determinando os cargos a serem ocupados pela sua associação, depois vc precisa elaborar um estatuto, uma ata desta reunião, contendo o conteúdo da reunião bem como a formação, eleição e posse da diretoria, fazer uma lista de qualifação dos membros, e de posse desta documentação vc deve levar para o cartório de registro de pessoas jurídica de sua cidade, depois ir a receita federal para criar o cnpj.
Espero q tenha ajudado um abraço

2. Eliane dejoss - março 11, 2009

Estou com voces,também é meu axé.

3. gilma de assis - outubro 8, 2009

estou num terreiro e gostaria de saber como podemos fazer para registra-lo?TORNA-LO LEGAL?
estudamos muito e nosso pai faz questão de que estejamos sempre lendo e discutindo noissas leituras.
gostariamos muito de organizar esse espaço fisico,ele é muito precario,pequeno .sera que podemos contar com ajuda de pessoas,do ponto de vista financeiro?e como seria isto?
nosso pai é muito simples e nos os filhos é que temos que estar correndo atras porque é muita coisa pra ele.
se puder nos ajudar ficaria muito feliz!
OBRIGADA! GILMA ASSIS

4. Isabel de Ossainhe - novembro 14, 2009

estou abrindo um terreiro de umbanda,gostaria de saber qual a necessidade de registrar em cartorio?tbm gostaria de saber quais os documentos necessarios para isso?terei que pagar quanto? com esse cnpj do registro poderei usar para o que? por favor me auxilie,quero fazer tudo com clareza.axé

5. edurdo Silvs - agosto 23, 2012

estou abrindo um terreiro e gostaria muito de falar com vcs


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